Atemi waza

Ao meu ver, a sequência lógica para o ensino/aprendizado do Karate é a seguinte:
1. 基本  KIHON – Literalmente “Fundamentos” é a porta de entrada.
2. 型・形 KATA – Literalmente “Formas” é a transmissão do ensinamento dos mestres originais.
3. 分解  BUNKAI – Literalmente “Entender as partes” é a compreensão do ensino.
4. 組手  KUMITE – Literalmente “Confronto” é a aplicação do conhecimento.
Então, onde entram os Atemi 当て身 “ataques aos pontos vitais” e os Kyûsho 急所 “pontos vitais” propriamente ditos? Este é um assunto bastante interessante, principalmente nos dias atuais.
É interessante porque – em certa medida – é um assunto que todos falam, mas poucos realmente tem conhecimentos efetivos a que o assunto se refere.
Assim a matéria é falada, comentada muito superficialmente por “mestres” diversos, sem que nenhum ponto vital seja abordado em profundidade.
E qual a razão para esta negligência no ensino/aprendizagem?
A razão é que este assunto é muito mais complexo do que apresentar um diagrama com desenhos de localização dos pontos vitais e, em certa medida, as informações apresentadas nestes mesmos diagramas deixam muito a desejar no que diz respeito aos detalhes a respeito de cada ponto nelas indicados.
Apesar de eu não ter uma “vasta” experiência em brigas de rua, naturalmente enfrentei alguns casos onde o risco de vida era iminente. Entre os casos sobre os quais eu tenho vivência efetiva, pois as situações se passaram comigo, vou comentar três casos que me causaram grande surpresa ao verificar que o conhecimento que eu tinha “aprendido” dentro do Dôjô a nível de pontos vitais não correspondia àquilo que eu enfrentava na rua.
Num primeiro caso, após ter passado anos e anos a treinar técnicas para atingir pontos específicos, fui abordado na rua por um elemento… o confronto foi inevitável. Num determinado ponto, desferi o meu ataque a um ponto específico – já pensando no resultado que eu esperava.
Para a minha surpresa e horror, o ataque ao ponto vital, com força mais do que suficiente, não produziu qualquer efeito no adversário em questão. Foram necessários quatro ataques no mesmo ponto para que o elemento fosse neutralizado (o que me deu uma margem de sucesso de 25% para um ataque ao referido ponto – muitíssimo abaixo do que eu esperava para um combate real)
A questão que se coloca é: : a técnica ao ponto vital não funcionou ou funcionou mal?!
Vejamos a situação de uma outra forma. Quando estamos em combate real, a adrenalina sobe muito… não só a nossa, mas a do adversário também! Aquilo que uma pessoa em condições normais poderia achar extremamente doloroso, sob o efeito da adrenalina pode muito bem não sentir coisa alguma. Devemos estar preparados para esta situação… coisa que naquela época eu não estava. Mesmo atingindo o ponto certo, um único ataque não foi suficiente para derrubar o adversário. Descobrir isso no meio de um combate é a pior coisa que pode acontecer, pois abala os alicerces daquilo que julgamos dominar.
Num outro confronto também inevitável, utilizei uma técnica que para mim era potencialmente “inofensiva”, quero dizer, não tinha objetivo em derrubar o adversário, tanto que o combate acabou com uma técnica apenas… mas vim a saber que o adversário teve o braço partido em três partes. Isso também foi uma surpresa enorme, pois quando fiz a técnica tinha por objetivo apenas “afastar” o adversário e nada mais, tanto que a técnica foi feita com aproximadamente 50% da força que eu podia utilizar. Neste caso, a técnica teve um aproveitamento de 300%…
A questão que se coloca é: a técnica funcionou bem demais?!
Novamente devemos analisar a situação no contexto de combate de rua onde a nossa vida está em risco e que todas as alternativas são válidas para sobreviver.
Além disso, quando fiz a técnica não visei qualquer ponto vital. Apenas queria afastar o adversário.
Existem vários fatores que contribuem ou atrapalham o desempenho de um karateka em combate real. As falsas teorias sobre pontos vitais serem decisivos deveriam ser apresentadas de uma forma mais coerente. Há situações de hesitação, medo, insegurança… também há momentos em que o adversário simplesmente tem uma pura perda de controle sobre si mesmo – quer por problemas médicos, quer por efeito de drogas, alcool etc.
Num terceiro caso, estava voltando da praia com alguns amigos quando fomos abordados por dois elementos, um deles com um bastão com pregos nas pontas. O combate era inevitável. Uns 5 segundos após ao início do combate, eu estava a aplicar um estrangulamento com o elemento que estava armado caído ao solo. Como no Dôjô eu já havia praticado milhares de vezes os estrangulamentos, sabia  – com 100% de certeza – que funcionavam (pois eu já tinha passado tanto por defensor como agressor na prática das técnicas – sabia “como” fazer e os seus efeitos a nível de tempo e resultados). Mas, na rua é diferente… não é a mesma coisa. Enquanto que no dôjô o Dôgi 道着 não rasga, na rua, a roupa comum rasga, cedendo à pressão! Definitivamente, a técnica não pode ser feita. Simples como isso! É uma situação completamente nova. Aquilo que eu julgava ser 100% a prova de falhas, falhou redondamente!
A questão que se coloca é: A técnica estava errada?!
De forma alguma! O que ensinado/aprendido funciona realmente a 100%… as condições do combate “não-linear” é que são imprevisíveis!
Certezas dentro de um Dôjô, todos nós as temos, mas a realidade do combate de rua (não para marcar pontos) pode se revelar assustadoramente perigosa.
O que nos leva à questão dos pontos vitais e o seu ensino nas Artes Marciais.
Todo o instrutor deveria ser capaz de separar a fantasia da realidade e advertir os alunos que um ataque a um ponto vital tem mais probabilidade de atingir o objetivo esperado, mas que também estivessem prontos para a eventualidade de o adversário estar “anestesiado” por adrenalina ou sob o efeito de alucinógenos ou alcool… o que vai determinar sua maior ou menor resistência aos atques que efetuamos..
Infelizmente – não é bem isso que vemos nas escolas. Os pontos vitas passam a ser mitos e alguns “mestres” citam um ou dois para justificar o seu status quo.
Todo instrutor que se aventura pelo ensino dos pontos vitais geralmente cai num erro extremamente básico: a falta de vivência real na aplicação de técnicas aos pontos ensinados.
E é bom que assim o seja, caso contrário andariam todos brigando constantemente e isso afasta-se das fronteiras do Dô 道(Caminho, Via).
Sou a favor do ensino de pontos vitais para todos os Yûdansha (faixas-pretas) e acredito que um shodan deveria saber 3 pontos vitais (1 jôdan + 1 chûdan + 1 gedan); um 2º Dan deveria saber 6 (2+2+2), um 3º Dan deveria saber 9 (3+3+3) e assim por diante.
Mesmo que não representem 100% de certeza de Ikken Issatsu 一拳一殺 (“Um ataque, uma morte”) aumenta a precisão e efetividade do futuro instrutor.
 KYŪSHO-ZU. Tabela de Pontos Vitais Básicos.01. TENDŌ – Fontanela Anterior. 02. UTO or MIKEN – Entre as sobrancelhas. 03. KASUMI or KOMEKAMI – Têmpora(s). 04. DOKKO – Cavidade Mastoideana. 05. JINCHŪ – Base do Nariz. 06. SUIGETSU or MIZUOCHI – Plexo Solar. 07. GETSUEI – Hipocôndrio esquerdo. 08. KINTEKI or TSURIGANE – Testículos. 09. SHITSU – Joelho(s). 10. MYŌJŌ – Hipogastro. 11. DENKŌ – Hipocôndrio direito. 12. KACHIKAKE – Queixo.

Niju Kun

Funakoshi

 

船越義珍開祖が書いた松濤館の二十 訓

FUNAKOSHI GICHIN KAISO GA KAITA SHŌTŌKAN NO NIJŪKUN.

“Os vinte preceitos do Shōtōkan escritos pelo fundador Funakoshi Gichin”.

一、空手道は礼にはじまりり、礼に終ることを忘れるな。

HITOTSU – KARATEDŌ WA REI NI HAJIMARI, REI NI OWARU KOTO O WASURERU NA.

(1) Importante, não se esqueça que o Karate-dō deve iniciar com saudação e terminar com saudação.

一、空手に先手なし。

HITOTSU – KARATE NI SENTE NASHI.

(2) Importante, no Karate não existe ataque preemptivo (atacar primeiro).

一、空手は義の輔け。

HITOTSU – KARATE WA GI NO TASUKE.

(3) Importante, o Karate é um assistente da justiça.

一、先ず自己を知れ、而して他を知れ 。

HITOTSU – MAZU JIKO O SHIRE, SHIKOSHITE TA O SHIRE

(4) Importante, conheça a si próprio antes de conhecer os outros.

一、技術より心術 。

HITOTSU – GIJUTSU YORI SHINJUTSU.

(5) Importante, o espírito é mais importante do que a técnica.

一、心は放たん事を要す 。

HITOTSU – KOKORO WA HANATAN KOTO WO YOSU.

(6) Importante, o espírito deve ser livre.

一、禍は懈怠に生ず 。

HITOTSU – WAZAWAI WA GETAI NI SHŌZU.

(7) Importante, os infortúnios nascem com a negligência.

一、道場のみの空手と思うな 。

HITOTSU – DŌJŌ NO MI NO KARATE TO OMOUNA.

(8) Importante, o Karate não se limita apenas ao dojo.

一、空手の修業は一生である 。

HITOTSU – KARATE NO SHŪGYŌ WA ISSHŌ DE ARU

(9) Importante, o aprendizado do Karate deve ser perseguido durante toda a vida.

一、凡ゆるものを空手化せよ其処に妙味あり 。

HITOTSU – ARAIYURU MONO WO KARATEKA SEYO SOKO NI MYOMI ARI

(10) Importante, o Karate dará frutos quando associado à vida cotidiana.

一、空手は湯の如し絶えず熱度を与えざれば元の水に還る 。

HITOTSU – KARATE WA YU NO GOTOSHI TAEZU NETSUDO WO ATAEZAREBA MOTO NO MIZU NI KAERU

(11) Importante, o Karate é como a água quente, se não receber calor constantemente torna-se água fria.

一、勝つ考は持つな負けぬ考は必要 。

HITOTSU – KATSU KANGAE WA MOTSU NA MAKENU KANGAE WA HITSUYŌ.

(12) Importante, não pense em vencer, é necessário pensar em não ser vencido.

一、敵に因って轉化せよ 。

HITOTSU – TEKI NI YOTTE TENKA SEYO.

(13) Importante, mude de atitude conforme o adversário.

一、戦は虚実の操縦如何に在り 。

HITOTSU – TATAKAI WA KYOJITSU NO SŌJU IKAN NI ARI.

(14) Importante, a luta depende do manejo dos pontos fracos (虚 KYO) e fortes (実 JITSU).

一、人の手足を剣と思う。

HITOTSU – HITO NO TEASHI WO KEN TO OMOU.

(15) Importante, imagine as mãos e os pés das pessoas como espadas.

一、男子門を出づれば百万の敵あり 。

HITOTSU – DANSHIMON WO IZUREBA HYAKUMAN NO TEKI ARI.

(16) Importante, para cada homem que sai do seu portão, existem milhões de adversários.

一、構は初心者に後は自然体 。

HITOTSU – KAMAE WA SHOSHINSHA NI ATO WA SHIZENTAI.

(17) Importante, as posturas (praticadas) são para principiantes, mas depois (com a evolução) tornam-se naturais.

一、形は正しく、実戦は別物 。

HITOTSU – KATA WA TADASHIKU, JISSEN WA BETSUMONO.

(18) Importante, pratique os Kata corretamente, o combate real é um caso especial.

一、力の強弱体の伸縮技の緩急を忘るな 。

HITOTSU – CHIKARA NO KYŌJAKUTAI NO SHINSHUKUGI NO KANKYŪ WO WASURUNA.

(19) Importante,  não se esqueça de aplicar corretamente: alta e baixa intensidade de força; expansão e contração corporal; técnicas lentas e rápidas.

一、常に思念工夫せよ 。

HITOTSU – TSUNE NI SHINEN KUFU SEYO.

(20) Importante, aperfeiçoar-se sempre.

Convenções

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Convenções no Karate.

Há um aspecto que os instrutores devem levar em consideração quando estão ensinando  ou comandando uma classe: a ordem correta como devem ser ditos os nomes e comandos em japonês.

Sem entrar naqueles “blá blá blá místicos”, a “regra geral” é assim:

LADO-NÍVEL-TÉCNICA.

LADO:

右  Migi – “Direita”.

左  Hidari – “Esquerda”.

NÍVEL:

上段 Jōdan – “Nível superior”.

中段 Chūdan – “Nível médio (central)”.

下段 Gedan – “Nível inferior”.

Primeiro deve-se dizer o lado para o qual será executada a técnica; depois o nível em que vai ser executada a técnica e, por fim, a técnica a ser feita.

Por exemplos:

左上段揚受 HIDARI-JŌDAN-AGE-UKE

左     HIDARI: “à esquerda” => Lado

上段    JŌDAN: “nível superior” => Nível

揚受    AGE-UKE: “defesa ascendente” => Técnica

右中段回蹴 MIGI-CHŪDAN-MAWASHI-GERI

右     MIGI: “à direita” => Lado

中段    CHŪDAN: “nível médio” => Nível

回蹴    MAWASHI-GERI: “chute circular” => Técnica

Em casos mais específicos, características especiais vêm em primeiro lugar e a regra geral acrescenta mais um aspecto: DETALHE-LADO-NÍVEL-TÉCNICA.

Por exemplo:

斜左下段払い NANAME-HIDARI-GEDAN-BARAI

斜      NANAME: “diagonal” => Detalhe

左      HIDARI: “à esquerda” => Lado

下段     GEDAN: “nível inferior” => Nível

払い     HARAI: “varrer” => Técnica

Existem, como em toda regra, exceções… que é o caso de KIZAMI 刻. Este termo refere-se ao membro que estiver mais próximo ao adversário (mais à frente) e, neste caso, são dispensados DETALHE e LADO, bastando indicar Nível (se for o caso) e técnica.

Se formos pelo “significado” do ideograma KIZAMI 刻, a tradução que mais se aproxima do movimento feito em Karate é “estocada”, um ataque rápido e repentino na distância mais curta possível (feito com membros que estão mais à frente).

Exemplos:

刻上段回突 KIZAMI-(JŌDAN)-MAWASHI-ZUKI

刻     KIZAMI:”estocada – com o braço da frente”

上段    JŌDAN: “nível superior” => Nível

回突    MAWASHI-ZUKI):”soco circular” => Técnica

刻中段前蹴 KIZAMI-(CHŪDAN)-MAE-GERI

刻     KIZAMI:”estocada – com a perna da frente”

中段    CHŪDAN [ちゅうだん] (tchúdán): “nível médio” => Nível

前蹴    MAE-GERI [まえげり] (máê-guêri):”chute frontal” => Técnica

MAE-GERI 前蹴 “chute frontal” é freqüentemente substituído apenas por KIZAMI-GERI 刻蹴.

Nas fontes fidedignas sobre Karate estas convenções são obedecidas (entre outras convenções) e é desta forma que devem proceder os instrutores a fim de ensinarem de forma padrão os seus estilos de Karate.

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KIMONO 着物 significa literalmente “coisa de/para vestir”:

KI 着 – “vestir, usar (roupa)”,

MONO 物 – “coisa, objeto”.

O “KIMONO 着物” é a roupa de uso diário no Japão, por isso tal roupa não existe em qualquer arte marcial japonesa. Então, não se usa “KIMONO [着物]” em artes marciais! Os artistas marciais usam roupas específicas de suas artes.

De uma forma específica no Karate 空手 se usa:

KARATEGI 空手衣

KARATE 空手 – mãos vazias

GI 衣 – neste caso significa roupa

KARATEGI 空手衣 – roupa de/para karate.

O Karategi está dividido em:

UWAGI 上着 – “Roupa de cima” – Parte de cima do Karategi, casaco.

SHITABAKI 下履 – “Vestir por baixo” – Parte de baixo do Karategi, calças.

OBI 帯 – Faixa / cinto.

De uma forma mais abrangente os uniformes podem ser chamados de:

KEIKOGI 稽古衣

KEIKO 稽古 – significa prática, treino

GI 衣 – neste caso significa roupa

KEIKOGI 稽古衣 – significa roupa de/para treino

DŌGI – Aqui é interessante… Dependendo do ideograma para DŌ, duas traduções são possíveis:

DŌGI 道衣

DŌ 道 – caminho, via

GI 衣 – neste caso significa roupa

DŌGI 道衣 – roupa do caminho, roupa da via.

DŌGI 動衣

DŌ 動 – movimento, treino

GI 衣 – neste caso significa roupa

DŌGI 動衣 – roupa de/para movimento, roupa de/para treino.

IMPERDÌVEL!!!!!!!!

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Maiores informações:
www.kenshuseikarate.com.br

Senpai

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No mundo das artes marciais, o emprego de termos japoneses sem o conhecimento efetivo a respeito do seu significado e ou utilização sempre levou (e ainda leva) alguns instrutores ou praticantes a erros que poderiam ser facilmente evitados.

Este é o caso do termo SENPAI 先輩.

Inúmeros são os instrutores que “adoram” usar a palavra “SENPAI” referindo-se aos “faixas pretas” ou “estudantes seniores” e isso acontece porque estes instrutores “convencionaram” que o termo SENPAI refere-se apenas aos alunos antigos dentro de um Dōjō.

E, mais uma coisinha: Não, não… “Senpai” não é uma pessoa que não tem pai!” (Como afirmou uma criança num Dōjō). (^_^)

Ao falar sobre SENPAI é OBRIGATÓRIO falar em KŌHAI, pois o termo SENPAI não é um título, SENPAI / KŌHAI é uma relação!

Vamos primeiro entender a que os termos se referem:

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Senpai 先輩 – “sênior” (em um grupo).

先 “Antes, prévio, previamente, precedente”

On’yomi: SEN (o mesmo ideograma usado na palavra Sensei.)

Kun’yomi: SAKI, MAZU.

Nanori: PON.

輩 “Camarada, companheiro”

On’yomi: HAI.

Kun’yomi: -BARA, YAKARA, YAKAI, TOMOGARA.

Senpai: “O companheiro que começou antes (de mim).”

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Kōhai 後輩 – “junior” (em um grupo).

後 “depois, posteriormente”

On’yomi: GO, KŌ.

Kun’yomi: NOCHI, USHIRO, ATO, OKU(RERU).

Nanori: KOSHI, SHI, SHII, SHIRI.

輩 “Camarada, companheiro”

On’yomi: HAI.

Kun’yomi: -BARA, YAKARA, YAKAI, TOMOGARA.

Kōhai: “O companheiro que começou depois (de mim).”

Assim sendo, o Senpai é um estudante sênior (designado pelo Sensei) que se torna responsável por um ou mais estudantes para ensinar-lhes informações básicas sobre o estilo ou escola de Karate.

A relação SENPAI / KŌHAI dentro de um dōjō é mais conhecida a nível japonês como a relação “irmão mais velho / irmão mais novo”, onde o “irmão mais velho” é responsável pela educação do “irmão mais novo” e é desta forma que deveria ser encarado dentro das escolas de vias marciais ocidentais. Ou seja, um Senpai encarregado de um ou mais estudantes.

Vamos ver agora, com um pouco mais de profundidade, como isso é feito dentro de um Dōjō:

Para começar, o Sensei atribui a um (ou mais) estudante(s) mais antigo(s) a responsabilidade de supervisionar um, dois ou – no máximo – três alunos mais novos.

O aluno mais antigo que assume esta responsabilidade passa a ser um Senpai. enquanto que os mais novos passam a ser os Kōhai.

A função do Senpai e supervisionar o desenvolvimento básico – teórico e prático – dos Kōhai (novos alunos) sob sua responsabilidade.

Atenção neste ponto: O Senpai é sempre responsabilizado pelo desenvolvimento dos alunos sob a sua supervisão. Ou seja, a sua capacidade de transmissão dos conhecimentos básicos do Dōjō estão sempre a ser avaliados – constantemente – o que pode fazer com que tal responsabilidade seja, em alguns casos, bastante exigente.

Mesmo assim, esse tipo de relação é extremamente benéfica para o Senpai, porque serve como preparação para as responsabilidades de ser um futuro instrutor, assumindo – em menor escala – todas as funções de um Sensei.

Isso faz com que os Senpai ganhem experiência de instrução, sob a supervisão directa do Sensei – o qual poderá avaliar, corrigir e ajudar o Senpai na tarefa de instruir os alunos mais novos. O que leva a acção de formação continuada do aluno mais antigo a níveis muito mais elevados.

Além disso, liberta o Sensei da responsabilidade directa do grupo de alunos mais novos, uma vez que toda a instrução terá um Senpai como intermediário.

Desnecessário dizer que o Senpai é responsável – numa primeira avaliação – pelos bons ou maus desenpenhos dos alunos sob a sua supervisão…

Há algum problema quanto a isso?! Ser responsável e responsabilizado, quero dizer.

Claro que não! Não há qualquer problema, porque é justamente isso que o espera como futuro Sensei. (Ninguém disse que ser Sensei era fácil!)

Esta seria – de forma ideal e bastante geral – as funções de um Senpai com relação aos seus Kōhai. Contudo, na maioria dos casos, isto não acontece nas escolas ocidentais onde uns poucos SENPAI são conhecidos pelos outros alunos, mas nenhum KŌHAI respectivo é atribuido aos mesmos…

karateka

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Vou hoje falar sobre outro conceito japonês que às vezes é mal interpretado. Este é o caso do sufixo japonês colocado após o nome de alguma via marcial.

Karateka e praticante de Karate são dois conceitos que aparentemente indicam a mesma coisa e são facilmente confundidos em publicações, sites, etc.. Mas, na realidade há uma diferença abismal entre ambos.

Não sei se notaram, mas o sufixo KA 家 após a palavra Karate identifica – a nível de idioma japonês – alguém que seja um “especialista”.

Portanto, quando dizemos que alguém é um Karateka 空手家 estamos literalmente a nos referir a uma pessoa que é “especialista em Karate”.

Note-se que este sufixo não é exclusivo o Karate… Também é visto em outras vias marciais, tais como: Jūdō, Kendō, Aikidō, Kyūdō, Kobudō, etc..

A questão agora é: o que é um especialista em Karate?

Por definição, “Especialista é uma pessoa que se dedica a um ramo de determinada ciência, técnica ou arte e sobre o qual tem profundo conhecimento”.

Assim, apenas para reflexão, somos Karateka (especialistas em Karate) ou meros praticantes de Karate?

Karate Do

Muitos creem como essencial a participação do estudante de Karate-Do em campeonatos sejam eles de Karate mesmo ou alguns exageram e acreditam que a participação do Karateca deve chegar no MMA como Lyoto Machida por exemplo.Penso que treinar para realidade dando uma ênfase maior para a realidade nos treinos em seus respectivos Dojo o estudante assim como o profissional ainda assim tb estudante uma vez que estudaremos nossa arte a vida toda do que necessariamente ir para algum tipo de competição pois,o resultado de mentes e corpos condicionados para marcar pontos em campeonatos foi o lamentável UFC1 com Royce Gracie jantando todos os praticantes de estilos em pé e não só o Karate-Do.Não acredito que uma competição dê necessariamente a maturidade para o praticante de Karate em especial e até mesmo para o praticante de Kung Fu e explico o porque.Tanto o Kung Fu e seus diversos estilos quanto nosso Karate-Do e tb seus muitos estilos foram criados para situações reais e os seus respectivos mestres do passado condenavam a prática esportiva dessas artes não apoiando assim a esportização das mesmas.Por isso davam bastante atenção ao treinamento de Bunkai para que os alunos entendessem os Kata e os aplicassem se fosse necessario em situações reais.Claro que é discordância desde tempos remotos mas que eu saiba os melhores lutadores de Karate de Okinawa jamais lutaram por pontos e nem por isso não tinham auto confiança e deixavam de acreditar em suas técnicas.Acho sim que a fase de competir caso o estudante queira conhecer tal aspecto da arte ou seja, o esportivo pode ser construtivo em alguns aspectos mas não acredito numa obrigatoriedade de tal etapa na vida do estudante de Karate-Do.O lamentável UFC1 para quem viveu tal época assim como eu foi um espetáculo dos horrores pois,não viamos nenhum sistema marcial que lutasse em pé funcionar não só contra Royce Gracie e seu limitado Jiu Jitsu ao meu ver por só funcionar bem no chão como também nada acontecia uns contra os outros não permitindo assim que percebessemos que os sistemas marciais diferiam entre sí e que cada um tinha sua funcionalidade.Lamentavelmente não vimos nenhum representante do Karate que fosse digno para tal missão.Diante de todos os estilos de sistema em pé esportizados a família Gracie segundo o próprio Rorion Gracie disse em seu documentário escolheu os lutadores que lutariam com seu irmão Royce.Eu vos pergunto tal questão também é um tanto incômoda né?Como vc pode vender a idéia de que seu estilo é único e melhor que outros sendo capaz de desestruturar todos os sistemas em pé se baseando em lutadores sem uam visão mais maldosa e marcial.Royce Gracie era o mais qualificado em tal UFC1 para a proposta do evento uam evz que era o único verdadeiramente com raça e que lutava pelo seu próprio estilo e honra pois,de resto vinham de suas respectivas academias e carreiras e não de um Dojo sério onde não se havia abandonado os aspéctos marciais.Possuimos na nossa arte em seus diversos Kata diversas técnicas contra estilos de agarre inclusive contra a famosa baiana deles(entrada na cintura)para derrubar o adversário.Temos técnicas que matam e projetam o adversário nessas situações de cinturada.Temos Ne Waza(técnicas de solo)temos projeções,torções etc mas nada disso funcionou porque nada disso apareceu contra o Jiu Jitsu Gracie.Lembro me claramente de Rickson Gracie dar entrevista dizendo que as artes em pé que tanto apareciam em filmes só funcionavam lá e que eles sim treinavam o que funcionava e que eles treinavam o que verdadeiramente usavam em uma luta real querendo asism dizer que fazemos movimentos em vão.De fato ele estava certo se pensarmos quantos não sabem o que aprendem dentro do Karate-Do ou mesmo no Kung Fu em seus Katis.Enquanto não houver uma conscientização de que temos uma arte marcial poderosa nas mãos e pronta para todas as situações reais e com defesas e ataques contra todos os ataques de outros estilos existentes veremos pessoas portando uma graduação como faixa marrom,preta shodan,nidan etc sem méritos reais pra isso.Isso não acontece no Jiu Jitsu e por isso acredito que devemos nos conscientizar cada vez mais do poder do Karate-Do como arte marcial que é e deixar os aspectos esportivos para as crianças que praticam nossa arte.Uma criança não deve portar graduações altas enquanto colorida como roxa e marrom e muito menos não acredito em crianças faixa preta pois,para quem não sabe quando o Karate-Do chegou ao Brasil o praticante que portasse a faixa preta era automaticamente fichado na polícia por ser considerado uma arma humana para que se houvesse alguma confusão na rua envolvendo o nome dele fosse responsabilizado como tb crianças não podiam praticar Karate naquele tempo.Por tanto irmãos em Karate que venhamos a meditar um pouco sobre a questão da esportização do Karate que pra muitos caiu em descrédito devido a má representação por parte de alguns praticantes que facilmente tombavam no chão derrubados por uma cinturada de um praticante de Jiu Jitsu brasileiro assim como muitos por ái levaram pior diante de um praticante de Muay Thai por não estarem acostumados com a brutalidade contida no famoso Boxe tailandês.Acredito na teoria dos praticantes de Wing Chun Kung Fu que preferem dar uma enfase maior aos treinamentos em suas escolas de Kung Fu chegando em seus treinos o mais eprto possível da realidade sem necessariamente que seus praticantes se machuquem muito do que treinar lutadores para serem apenas atletas.Me perdoem quem não concorda mas acho que devemos refletir mais.Numa luta real usariamos hira ken,nakadaka ken,ippon ken,nukite,nihon nukite,shuto,seyriuto,empi de dentro pra fora coisa que não vemos em MMA etc mas está tudo baseado nos dias de hoje a lutas pobres e secas com apenas socos,chutes e quedas coma continuidade de luta de solo.Particularmente nunca veremos uma comparação técnica honesta na TV pois a mesma a qual os Gracies fizeram o mundo acreditar que aconteceu na década de 90 nunca seria realmente possível aocntecer na realidade pois o Karate é mortal em situação de ocmbate e ninguém que já treinava assim naquele tempo quis participar ou se envolver em tal fiasco de competiçao pois não seria possível devido a brutalidade existente num combate real entre artes marciais que por sua vez sempre existiu mas secretamente na Ásia nunca contando assim com o apoio da mídia obviamente.Oss

Allan Franklin Pinheiro é aluno do Bukaikan do Shihan Kung discípulo direto e primeiro aluno do Kyoshi Benedito “Mão de Ferro”  do Rio de Janeiro  e pratica neste Dojo o Shotokan Ryu e Goju Ryu e tem intuito de resgatar a alma do velho Karate de Okinawa e o respeito mutuo entre os praticantes de diversas artes marciais conscientizando as pessoas de que não há superioridade técnica ou marcial,mas sim a qualidade varia de praticante para praticante independente do estilo que estude.Diz que o intuito do programa é demonstrar que todas as artes tem seus respectivos valores e qualidades e defeitos não existiando asism a idéia falsa criada pela família Gracie de uma auto suficiencia de uma arte marcial que supere por sí só as outras.Oss

Importância do Bunkai.

     Permitam-me um breve olhar sobre o “todo” que chamamos Karate.

     Ao entrarmos neste mundo, nesta mini-sociedade que é o mundo das Artes Marciais, a primeira coisa que aprendemos é o Kihon 基本 “os fundamentos”. Aprendemos a deslocarmo-nos e as várias formas e aplicações de técnicas.

Numa segunda fase, aprendemos os Kata 型 “formas/padrões” – estes são de facto a perpetuação do ensino original dos mestres fundadores (seja qual for o estilo de Karate).

     Numa terceira fase aprendemos os Bunkai 分解 o que significa literalmente “compreensão das partes” e, imediatamente após, aprendemos as Ôyô 応用 “aplicações”.

Ou seja, aprendemos o movimento (Kihon), COMO deve ser executado (Bunkai) e a sua APLICAÇÃO (Ôyô) prática em COMBATE (Kumite 組手).
Não há a menor dúvida que esta sequência lógica de ensino/aprendizagem conferem outra dimensão à arte praticada porque, sem a menor sombra de dúvidas, o praticante percebe e compreende os objetivos dos movimentos de forma madura e sólida.

     Agora, a minha questão é: será que realmente ensinamos/aprendemos um Bunkai consistente?
     Tenho visto o ensino em incontáveis escolas ocidentais e até hoje NUNCA vi um único ponto vital ser ensinado nestas escolas!
     Uma coisa é a bela “teoria” outra coisa é a crua “realidade” do ensino marcial… É que para ensinar tal matéria tem-se de saber realmente e isso implica ESTUDAR a arte! Tenho visto – quer nas vertentes desportivas quer nas vertentes mais “marciais” do Karate a instrução de combate ser direccionada “a um nível” genérico (Jôdan 上段, Chûdan 中段 ou Gedan 下段) sem nunca ser especificado qual ponto vital específico a atingir.

Uma coisa é a mística do Karate preciso e efetivo, outra coisa é o ensino/aprendizagem de qualidade propriamente dito…

OSS!

Shodan

O que é ser Shodan?

Ah! A primeira faixa preta!

Este é um assunto bastante engraçado, quero dizer, a falta de compreensão a respeito do mesmo no mundo do Karate faz com que este assunto assuma proporções inimagináveis.

Fábulas, contos, misticismos sobre atingir a tão cobiçada faixa estão amplamente difundidos pelos quatro cantos do planeta.

Coloca-se, pois, a seguinte questão: será que a primeira faixa preta merece tal atenção?

Na realidade, não!

Mas até chegar a esta conclusão, é necessário “entender” o assunto antes de difundir disparates.

Em primeiro lugar, vamos entender o que significa a palavra Shodan 初段.

Para os instrutores de Karate ocidentais, não para “todos”, mas para aproximadamente 99,99% destes, a primeira faixa preta representa um “ritual de passagem” de um aprendiz com faixa colorida para o mundo dos “senseis” (coloquei “s” no final da palavra propositadamente – sabendo que palavras japonesas não têm plural) !

[Essa história de qualquer um que obtenha uma faixa preta ser "automaticamente" instrutor também é um outro assunto que deveria ser amplamente debatido. Mas não vai ser neste artigo.]

Este “ritual de passagem” exige ao 1º Kyû que este saiba tudo (ou quase tudo) a respeito da parte técnica da arte que pratica, analisada quase à perfeição. [Atenção às palavras "parte técnica", pois a "parte teórica" nunca é verificada com o mesmo grau de exigência... por que será?] Após um exame “tecnicamente” exaustivo o novo faixa preta é admitido no mundo dos “senseis”.

Isso tudo seria válido se correspondesse à realidade do ensino do Karate. Mas não é.

A palavra japonesa “Shodan 初段” significa literalmente “Nivel inicial”, onde:

初 SHO – Início, principio.

段 DAN – Nível.

Não precisa ser nenhum gênio para concluir que a tradução aponta para o que deve ser tal graduação.

O que significa, então, “nível inicial”?

Significa que o praticante está apto para começar no estilo de Karate que escolheu.

Mas o que significa “estar apto” em se tratando de Karate?

“Estar apto” – neste caso – significa que detém os conhecimentos elementares que o habilitam a começar numa prática continuada do estilo de Karate que escolheu.

É justamente isso que os ocidentais não são capazes de entender: “começar” no Karate vindo de um período preparatório (fase de faixas coloridas) é um processo gradual contínuo e não um “ritual de passagem”. O 1º Kyû é reconhecido como tendo os conhecimentos BÁSICOS necessários para “iniciar a sua prática”. Por isso que a primeira faixa preta chama-se “Nível inicial”.

No Japão, a primeira faixa preta não têm esse grau de importância que podemos ver no ocidente, por outro lado, as seguintes graduações de Dan japoneses são cada vez mais exigentes – sem exceção. O exame para 2º Dan é muito exigente, o exame para 3º Dan é muitíssimo exigente e assim por diante.

Esta diferença de importância da faixa preta faz com que se veja “um início como um fim”, isto é, quando na realidade a primeira faixa preta deveria ser vista como um “início do karate como arte marcial (Shodan)”, passa a ser “um fim a ser atingido (1º Dan)”.

Notaram a diferença entre “Shodan” e “1º Dan”? Enquanto que Shodan é um “início”, “1º Dan” é um fim.

A primeira faixa preta tem a mesma importãncia que a faixa marrom, tem a mesma importãncia que a faixa roxa, tem a mesma importancia que… … … (nota: a colocação de reticências repetidas está ortograficamente errada, mas servem ao meu propósito de mostrar que ela é tão importante quanto qualquer outra faixa que o praticante atingiu anteriormente – porque todas as faixas que o praticante conseguiu na sua vida de treino marcial são a sua própria expressão em “Karate” – desde o primeiro dia que pisou dentro de um Dôjô)  porque a evolução é algo natural.

Assim sendo, é necessário que todos os instrutores entendam verdadeiramente os conceitos  mais elementares do Karate – neste caso, o que significa o termo Shodan – e que tenham sempre em mente que o Karate, como a própria vida, segue o seu curso natural.  As passagens do primeiro dia de vida, para fase de bebê, para fase adolescente, para fase adulta, para fase idosa e, por fim, para morte seguem o curso natural. Da mesma forma, as fases de Mudansha para Yûdansha seguem o mesmo curso natural.

Portanto, esse “ritual de transformação daqueles que não sabiam nada para o mundo dos senseis” é um processo irracional.

“Mas o meu mestre disse que…” alguns podem agora estar a argumentar.

O cérebro não serve apenas para separar as orelhas! Ele também é usado para uma atividade muito interessante: PENSAR!

 

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